domingo, 22 de novembro de 2009
Versos
Que nao sao meus, que daqui nao saem.
Hora passam, hora fogem, hora nada, ora bolas!
Nao sao de ninguém, pois que nao vêm...
Palavras que se encontram tal qual gotículas de água formam nuvens:
Versos, versos, versos, versos!
O poeta é o vento...
Um Dia Em Nossas Vidas
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Um Dia Em Nossas Vidas - Capa e Link para Aquisiçao

Pessoal, conforme prometido incluí no post abaixo um capítulo referente ao meu livro "Um Dia Em Nossas Vidas".
Quem quiser saber mais detalhes sobre o livro e quiser adquirir,basta clicar aqui!
Espero que gostem!
Libério Lara
Um Dia Em Nossas Vidas
Eu tinha vinte e nove anos. Tinha um pequeno apartamento num bairro gostoso da capital de Minas Gerais e um carro popular. Ganhava a vida como designer gráfico, fazendo free lancer para uma empresa de publicidade. Usava calça jeans, camisa pólo, brinco e cabelos razoavelmente longos. Toda minha família e a maioria dos meus amigos viviam no interior.
Adorava ler artigos relacionados a psicologia, filosofia, arte, poesia. Me atrevia a escrever algumas coisas e até a desenhar vez ou outra.
Tinha um bom amigo, com o qual me encontrava religiosamente duas vezes por semana. Uma, para assistir a qualquer filme que estivesse em cartaz no cinema. Outra, para sessões agradabilíssimas de bate papo pelos barzinhos da cidade: boa prosa, boa comida, muito chope!
Gostava de revistas em quadrinho, sentia saudade das sessões de RPG com o pessoal do interior. Pessoal bacana, com o qual eu havia formado uma banda chamada Perímetro Urbano nos tempos de adolescência.
Vivia sozinho em meu apartamento pequeno com meu companheiro Zé, um peixe bonito, de cauda azul, da raça beta. Vez ou outra batia bons papos com o Zé.
Gostava de assistir aos jogos do Cruzeiro no Mineirão, uma paixão de infância, herança de meu pai. Era apaixonado pelo meu time e pelas mulheres de Belo Horizonte.
Adorava o modo como elas se vestiam, impecáveis! Adorava seus trejeitos, conversa mansa de menina pudica que nada! Tive muitos relacionamentos, nenhum duradouro o bastante para que eu pudesse me envolver a ponto de “parar por aqui”, se é que me entendem.
Naquele dia acordei mais cedo. Havia esquecido a janela do quarto aberta e acordei com o barulho que o vento fazia batendo nas cortinas. O sol estava solitário no céu, nenhuma nuvem. O clima era gostoso, friozinho. Olhei para o relógio eletrônico que ficava sobre o criado mudo, seis da manhã! Fechei as janelas, as cortinas e tentei dormir novamente. Em vão.
Coloquei os três grãos de ração para Zé, gesto automático. Tomei o café de ontem, comi algumas bolachas, primeiro alimento que me apareceu.
Depois do banho demorado, nada para se fazer. Existem alguns finais de semana em BH, nos quais as pessoas desaparecem!
Pouco mais de sete da manhã, decidi sair para comprar um jornal e dar uma volta pela cidade. Me vesti como de costume: um jeans envelhecido e uma camisa pólo preta. No carro, procurei pelo CD que havia comprado no dia anterior. Líricas, de Zeca Baleiro. Um lançamento muito bom do compositor que para mim, era o melhor do país naquele momento.
Passei pela avenida Amazonas, que estava praticamente deserta. Peguei a Afonso Pena, passando por diversas bancas de jornal, mas sem parar em nenhuma. Quis ir até a rodoviária para aproveitar e comer um pão de queijo em uma lanchonete que me agradava. Deixei o carro no estacionamento e desci as escadas da rodoviária assoviando, despreocupado com a vida, pensando apenas no meu pão de queijo.
Desejo saciado, subi à plataforma superior da Rodoviária, onde os passageiros aguardavam o embarque, a fim de comprar meu jornal. “Brasil vence a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo”, era a manchete principal. A partida se realizara naquela madrugada e eu estava demasiado exausto para esperar acordado, que ela começasse.
Com o jornal dobrado em uma das mãos e as chaves do carro em outra, saí da banca em direção ao estacionamento da Rodoviária. Foi quando a vi pela primeira vez. Sofri um impacto indescritível naquele momento. Não tive um segundo de dúvidas sequer: era a mulher mais linda com a qual eu havia me encontrado até aquele momento. Seu rosto era um desenho perfeito, obra de arte viva, falante, colorida! Seus longos cabelos negros caíam-lhe lisos, puros e morriam leves pouco acima da cintura. A pele que modelava seu corpo impecável não era menos impecável. Pele de anjo, de anjo voluptuoso, filho de Cupido. Seus olhos eram verdes, de um verde ainda não visto por mim. Seus olhos falavam, intimidavam pelas formas e cor, seduziam pela expressão, qualquer uma que fosse ela!
Percebi que aquele anjo estava irritado com algo, esbravejando de maneira doce ao celular, palavras que não compreendi. Grande paradoxo num ser só... doçura raiva!
Parei ali admirando a criatura, encostado no corrimão da escada que dava acesso à uma das plataformas de embarque. São, eu não me atreveria nunca a me aproximar daquele ser. Mas a beleza daquela mulher havia me embriagado. Movido por uma emoção, emoção que não sei definir exatamente qual, fui me aproximando passo a passo. Ela segurava uma bolsa e tinha ao lado uma bagagem de rodas. Com a outra mão segurava o celular. Esperei que ela terminasse para que eu pudesse lhe falar. O quê? Eu não sabia...
Centralizei toda minha atenção nas suas palavras e consegui presumir que ela estava indo ao aeroporto, mas tinha medo de que o ônibus que saía da rodoviária para o aeroporto não chegasse a tempo para seu check in. Estava decidida a pegar um táxi e culpava a pessoa do outro lado da linha por não ter lhe avisado sobre os horários corretos.
Assim que ela desligou, caminhou a passos rápidos em direção a uma lanchonete. Pediu uma água. Não sei como tive aquela idéia, acho que eu comecei a executá-la antes que meu cérebro pudesse processá-la por inteiro.
Peguei meu celular e, ao lado dela, certificando-me que ela ouviria o que eu estava dizendo, fingi que atendia a uma ligação.
_ Mãe! Que saudade... como?... Mas você não chegaria pela tarde?... Estou na rodoviária, vim comprar um jornal... como?... Não, não estou com meu carro aqui, mãe. Deixei numa oficina para revisão, porque pensei que você chegaria mais tarde... como?... Certo, pegarei um táxi e me encontrarei contigo. Beijo! fingi desligar o celular e me dirigi para o balcão da lanchonete _ uma água por favor, moça!
Fiz cara de resignado. Eu estava ao lado daquela mulher de beleza estonteante e, pelo olhar que ela me lançou, tive certeza que ouvira minha conversa.
_ Minha mãe... mora em Manaus, vai visitar uma irmã no sul e fez uma conexão aqui em BH. Pensei que chegaria pela tarde, mas anteciparam o vôo e só agora fiquei sabendo de sua chegada aqui.
A moça riu sem graça e não disse nada.
Continuei:
_Terei que pegar um táxi para o aeroporto, deixei meu carro na oficina...
Ela não sorriu e continuou calada, tomando sua água.
“Mulher difícil!” pensei.
_ Você vai viajar? tentei consertar a pergunta idiota _ é porque você pode estar chegando, não é mesmo?
Ela voltou a sorrir. Desta vez largou a água e falou:
_ Minha situação é parecida com a sua. Terei de pegar um táxi até o aeroporto por causa dos horários dos ônibus.
_ Estamos sem sorte, pelo visto! ri meio sem jeito.
_É.
_É...
Ela fez um sinal, como se fosse se despedir e eu toquei levemente em seu braço:
_Por que não dividimos a corrida? Não, melhor... eu posso pagar, já que terei de arranjar um táxi de qualquer jeito. Em contrapartida não corro o risco de fazer uma corrida até o aeroporto ouvindo um taxista chato falando do desempenho da Seleção Brasileira nesta Copa... O que acha?
Ela hesitou por um instante. Meus ouvidos suplicavam por uma resposta positiva.
_ Tudo bem, vamos lá. Mas dividiremos a corrida, ok?
_ Por favor, não se preocupe com isto! Deixe-me ajudá-la com esta bagagem.
Ela riu, me deixando desconcertado. Eu estava me sentindo ridículo naquele momento, mas estava seguindo meus instintos. Uma corrida de táxi, ida e volta ao aeroporto. Pelo menos eu teria tempo para conversar com ela e quem sabe, conseguir o número de seu celular...
Quando ajeitava as bagagens no carro, me certifiquei se havia dinheiro suficiente para duas corridas em minha carteira. Me senti envergonhado pela minha atitude quase impensada. Poderia ter-lhe oferecido uma carona, conversado normalmente, sem aquela invenção bizarra de ligação. Mas ela não aceitaria a carona de um estranho. Eu não costumava agir daquela maneira quando me deparava com uma mulher bonita. Mas ela realmente era diferente. Era como se eu precisasse estar ao lado dela, saber de onde veio, para onde estava indo, o que ela fazia da vida, do que ela gostava.
Por um instante me arrependi de ter agido daquela maneira. E se ela fosse casada? Aparentava ter algo como vinte cinco, vinte e seis anos. Não vi nenhuma aliança em seus dedos. “Uma mulher bonita assim tem poucas chances de estar sozinha”, pensei. Mas resolvi não me preocupar com isto, afinal, apesar de minha atitude contradizer, a verdade era que eu não tinha, naquele momento, nenhuma pretensão com relação àquela moça linda, senão a de estar ao seu lado, conversar, ser amigo, quem sabe...
Acabávamos de nos acomodar no banco de trás do carro, quando o taxista perguntou:
_Para onde?
Respondemos juntos:
_Aeroporto!
_ Pampulha ou Confins?
Tive um calafrio! O que eu diria? Não havia pensado neste detalhe e não sabia em qual aeroporto a moça embarcaria. Num ímpeto comecei a responder:
_Pam...
_Confins! ela disse, conferindo seu bilhete de embarque.
_ Olhe! Juro que havia lido Pampulha em seu bilhete, acredita? Sim, toque para Confins. Mesmo aeroporto, que bom! tentei rir, mas acho que minha risada não fora convincente.
Ela retribuiu o riso da mesma maneira que o recebeu, sem graça, e foi logo ajustando um fone de ouvido. Encostou-se na lateral e cerrou os olhos. Era uma ordem para que não fosse incomodada, eu sabia ler nas entrelinhas.
Peguei meu jornal e o abri na matéria de capa. A Seleção havia ganhado de 2x1 da Inglaterra, se classificando para as semifinais da Copa do Mundo.
_ O Brasil ganha essa hein, chefe? comentei com o taxista.
Ele concordou. Eu percebi que ela deu um sorriso de lado, sinal de que não dormia. Havia feito o comentário propositadamente e o fiz, de uma maneira que ela soubesse disso. Era um recado, como o que ela havia me enviado através do fone de ouvido.
Ela entendeu e algum tempo depois desconectou os fones de ouvido.
“Garota esperta!” pensei.
Tirou um chocolate da bolsa, ofereceu ao taxista e a mim. Não aceitamos.
_ Isso é muito bom! disse, após dar uma pequena mordida.
_ Então, companheira minha de má sorte! Posso saber pra onde vai?
_ Pra casa, Sampa! respondeu ela, apreciando o sabor do chocolate.
_ Sério? Eu poderia jurar que você era mineira, sabia? Acho que por causa do sotaque...
_ Sou mineira sim. Triângulo. Mas moro em São Paulo há algum tempo por causa do trabalho, enfim...
Eu gostei do jeito como ela apreciava seu chocolate. Era como se provasse ambrosia, detectando cada sutileza dos sabores, sem pressa, sem fome até...
_Triângulo! Tenho parentes por lá.
Ela ficou calada.Eu tentava encontrar alguma forma, algum assunto que a tirasse de seu universo. Desde a primeira vez que nos falamos, a sensação que tive, foi a de que ela não estava ao meu lado, não completamente, por inteira. Poderia estar preocupada com alguma coisa. Sim, ela estava. Com seu vôo...
Tentei brincar:
_ Quer saber meu nome? antes que ela pudesse dizer alguma coisa, continuei atropeladamante _ sabia que grandes amizades começam assim? Qual seu nome? Meu nome é Fulano e o seu? Meu nome é Siclano. Oi Siclano, vamos ficar amigos?
Ela riu, sorriso bonito:
_ Você é engraçado.
_ Estamos evoluindo, temos um elogio!
Ela riu novamente:
_ Palhaço!
_Vou encarar como mais um elogio...
_Em quanto tempo chegaremos ao aeroporto? perguntou ela, aparentando preocupação.
O taxista respondeu:
_Mais trinta minutos, com trânsito bom.
_ Ótimo! Obrigada...
Tentei conversar mais uma vez:
_ Você é sempre assim... extrovertida, simpática?
_ Me desculpe, mas tive um dia difícil ontem e não acordei com sorte hoje.
_ Sem desculpas, por favor! Talvez eu esteja sendo um chato e...
Meu celular tocou em alto e bom volume: Hino do Cruzeiro! Era minha mãe, me ligando do interior de Minas, de verdade. Atendi enrubescido:
_ Alô... tudo, tudo bem e por aí? Como vão as coisas?...Sim, provavelmente estarei por aí no próximo final de semana... Tudo bem!... Tudo bem!... Outro...
Tive a sensação de que ela ouvia a voz do outro lado da linha. Um tanto constrangido tentei puxar conversa:
_ Então... veio a trabalho?
_ Sim. Na verdade deveria ter retornado ontem para São Paulo, mas não consegui nenhum vôo compatível com meu horário.
_ Entendo...
_ E você, estava passeando pela rodoviária?
_ Não _ mostrei-lhe o jornal _saí para comprar e resolvi comer um pão de queijo por ali.
_ E ficaria por ali, se sua mãe não tivesse se adiantado na viagem? riu.
_ Acho que não. Também não sei o que estaria fazendo. De repente, lendo este jornal sentado em alguma praça ou dando uma volta pelo Mercado Central procurando uma casa nova para o Zé...
_ Zé?
_Ah, sim! esbocei um sorriso _ meu peixe. Divide o apartamento comigo, mas está precisando de um novo aquário, um pouco maior que o atual...
_ Você mora sozinho?
_Não, claro que não. Como disse, divido o apartamento com o Zé...
Ela sorriu. E eu começava a gostar de seu sorriso. Ela ficava mais bonita sorrindo.
_ Interessante. Pelo que vejo, você deve ter em torno de trinta anos...
_ E?
_ Um homem de trinta anos dividindo o apartamento com um peixe... interessante. O que você faz?
_ Arte!
Seus olhos me investigaram por alguns instantes.
_ Sim, tem a ver com você. Tem cara, jeito e visual de artista. É bom no que faz?
_ Acho que sim. Divido o apartamento com o Zé, mas eu banco todas as despesas. Vivendo de arte, acho que sou bom pra conseguir este feito.
Ela riu novamente. E minha única pretensão naquele momento, era fazer com que ela continuasse com aquele sorriso no rosto.
_Zé... por que Zé?
_Um amigo do interior. Costumo dizer que é meu irmão mais velho. Quis fazer uma homenagem...
_ Legal. Uma homenagem ao Zé!
_Não, não. Ao Vicente Vilela Costa!
Ela riu-se linda! Consegui mais uma vez!
_ Você...
_ Deixe-me explicar... Vicente é meu amigo de infância. Grande amigo, um verdadeiro irmão. O chamo de Zé, não sei porque cargas d`agua. Mas o chamo assim há bastante tempo. Entendeu?
Ela continuava rindo.
_Sim, acho que sim.
_Quando eu tinha dezessete anos, comecei a trabalhar como designer gráfico para uma empresa no interior. O filho do dono da empresa tinha dois anos de idade. Chamava sua babá de Tutu. Ela se chamava Rosana. Ninguém havia lhe ensinado o que era tutu, pelo que disseram. Mas ele a chamava apenas de Tutu...
_Você é do interior, por sinal...
_Sim, sim... Moro aqui há dez anos. Cidade linda! Contraste de preto e branco com colorido! Esta cidade é poética, sabia?
_ É a primeira vez que venho a Belo Horizonte.
_ E o que achou?
_ Bom, não conheci nada. Vim a trabalho, então...
_ Posso saber o que você faz?
_ Arte! riu-se despudoradamente.
Hesitei alguns instantes e disse:
_ Sim, tem a ver com você. Tem cara, jeito e visual de artista. É boa no que faz?
Consegui arrancar uma boa gargalhada da moça bonita.
_ Não tão boa quanto você, com certeza. Divido o apartamento com mais três meninas e banco apenas a minha parte nas despesas...
_ Elas devem comer mais do que o Zé...
_ Bobo!
_ Você tem um sorriso bonito, sabia? É modelo?
_Faço alguns trabalhos fotográficos para algumas agências sim...
_ Legal! Trabalhou para qual agência aqui? Eu conheço algumas...
_ Nenhuma. Vim fazer um evento no Expominas. Trabalhei em um stande de uma emissora de TV.
_ Feira de propaganda?
_ Sim...
_ Eu estava lá! Sou designer gráfico, faço free lancer para uma agência daqui.
_ Está explicado o dejá vù...
_Como assim?
_ Quando te vi na rodoviária, tive certeza de que te conhecia de algum lugar...
_ Talvez você tenha me visto na feira...
_ Sim...
_ Mas eu não lhe vi...
_ Talvez tenha visto também...
_ Não... se tivesse lhe visto, não me esqueceria de você...
_ Bobo!
_ Estou contabilizando os elogios...
_ Você...
_ Sério... eu não me esqueceria de você...
_ Certo, certo...
_ Eu sou péssimo em fisionomia, memória fotográfica horrível! Mas você... não, não me esqueceria de você, nem que tivesse lhe visto de relance. Seu rosto ficaria guardado como um retrato...
_ Nossa! Está me deixando constrangida, rapaz...
_ Desculpe, desculpe. Juro que não era minha intenção. Só quis dizer que você é muito bonita. Quero dizer, tem uma beleza diferente, peculiar...
Ela riu com timidez. Eu continuei elogiando:
_ Tem um sorriso bonito, gostoso. Dá vontade de ficar contando piadas sem parar, sabia?
_Pare, por favor! a moça realmente estava ruborizada.
_Perdão! Só mais um comentário e prometo que não toco mais no assunto... é que eu imaginei que isso fosse uma constante, entende? Quero dizer, você deveria estar acostumada com elogios assim, não acha?
_ Sim, mas...
A interrompi:
_ Eu realmente só quis elogiar, sem nenhuma pretensão, juro! Você é uma mulher linda! Isto é fato! Desculpe se te deixei constrangida, desculpe mesmo.
_Não há necessidade de se desculpar, por favor! As mulheres recebem vários elogios, claro. Mas às vezes eu me sinto acanhada, não é sempre. É que acontecem tantas coisas, as pessoas se aproximam com mil idéias na cabeça e a gente nunca sabe... não se preocupe. Você parece ser um rapaz bacana. Mas é que a gente mal se conhece, eu fico encabulada...
_Não fique, por favor... temos mais alguns minutos até chegarmos ao aeroporto e, depois, provavelmente nunca mais nos veremos... Então podemos aproveitar os últimos minutos que nos restam conversando ou poderei fazer silêncio e te deixar em paz. Juro que prefiro lhe atazanar, mas diga. O que você prefere?
_Eu prefiro ouvir música...
Não permiti que ela continuasse:
_Sinto informá-la. Resposta errada. Vou continuar lhe atazanando. Como eu disse, mais alguns minutos e você estará livre. Então...
Ela riu gostosamente.
_ Seu bobo, eu ia dizer que preferia ouvir música, mas abriria mão disso, porque restam apenas alguns minutos até chegarmos...
_ Atazanar modelos em táxi é meu passatempo preferido, sabia?
_Percebe-se...
_Principalmente quando elas se mostram chatas, o que não é o seu caso, tenho que dizer...
_ Realmente, acho que não sou chata.
_ Não, pelo menos até o momento não. Controle-se, estamos chegando!
_ Esta foi sem graça...
_ É...
_ Você já foi melhor...
_ É...
_ É...
_ É ...
_Tudo bem... vou ouvir música!
_ Tive uma idéia!
_Sim?
_Por que não me fala de você?
_ Já disse, não? Vivo em São Paulo, faço alguns trabalhos como modelo, divido um apartamento com mais três amigas, cheguei na quinta-feira à noite em Belo Horizonte a trabalho e agora estou dividindo uma corrida de táxi com você até o aeroporto para voltar pra casa...
_ Interessante sua história, muito interessante! Principalmente na parte onde divide uma corrida de táxi com uma pessoa que não conhece, uma pessoa tão insignificante que nem despertou-lhe o interesse de saber seu nome, por sinal...
_Espere, espere! Você também não perguntou meu nome...
_Tem razão _ respondi fingindo resignação _ Estava tão preocupado em ser simpático que me esqueci deste detalhe. Acontece sempre, desculpe... Então...
_Sim? ela ria-se divertida.
_ Posso saber _ fiz uma longa pausa _ você pode me dizer _ mais uma pausa proposital _ o número de seu telefone?
Ela não esperava por aquela pergunta.
_ Como assim? Pensei que fosse perguntar meu nome...
_ Sim, geralmente perguntamos o nome da pessoa tão logo a conhecemos. Já passamos desta fase. Você até me contou sua história! Dividimos uma corrida de táxi, somos amigos, afinal! Esta fase é a fase onde o moço pede o telefone da moça para continuarem se falando, entendeu?
_ Mas eu não costumo passar o número do meu telefone para pessoas às quais eu sequer sei o nome...
_ Mentira!
_ Olhe só! Como pode saber?
_ Quando você vai até alguma agência, procurando eventuais trabalhos, você deixa seus contatos com a secretária, não é mesmo?
_ Sim, às vezes acontece, mas...
_ E você sabe o nome de todas essas secretárias?
_ Não, mas...
_ Muitas vezes você vai a uma loja e as atendentes pedem seus dados para cadastro. Você também deixa seu telefone e aposto que não sabe o nome da maioria dessas atendentes...
O taxista nos interrompeu. Havíamos chegado ao aeroporto.
Quando terminei de tirar a bagagem do carro e pagar o valor da corrida ao taxista, depois de muita insistência da moça em dividir a despesa, este deu um sorriso e disse à ela:
_ Dê seu telefone ao rapaz...
Caímos na risada, os três. O táxi saiu e me prontifiquei a ajudá-la com a bagagem:
_Taxistas sabem das coisas.
_Seu bobo!
_ É verdade! Lidam com todo tipo de gente durante o dia todo, a noite toda, enfim. Têm experiência em vários assuntos..
Ela riu, entrando na longa fila que dava acesso ao guichê para seu check in. Era a hora de nos despedirmos. Minha loucura estava chegando ao fim. Em alguns minutos eu pegaria um táxi e voltaria ao meu pacato final de semana. Sem a companhia da moça bonita, sem sentir seu perfume suave, sem inventar piadinhas ansiosas pelo seu sorriso gostoso.
_ Então... muito obrigada pela companhia, você foi muito gentil em...
A interrompi. Tive um ímpeto de pegar em suas mãos, mas me contive:
_ Sim... eu queria lhe dizer uma coisa.
Ela esperou.
_ É que talvez seja a última vez que a vejo, eu não poderia deixar você partir sem lhe confessar que menti...
Ela me olhou confusa, eu continuei:
_ Minha mãe não está aqui...
_ Desculpe, não entendi...
_ Não houve nenhuma ligação...
Ela fazia uma expressão de surpresa. Tentei me explicar:
_ Eu a vi alguns instantes antes de você aparecer naquela lanchonete. Percebi que falava ao celular, consegui ouvir você dizendo que pegaria um táxi para o aeroporto por causa dos horários incompatíveis dos ônibus. Quando você estava na lanchonete, fingi que falava ao celular com minha mãe, enfim... inventei aquela história toda... não sei, foi o que veio à minha cabeça...
Eu estava ruborizado. Ela me olhava com atenção...
_ Mas... por quê?
Consegui olhar em seus olhos que pareciam me despir. Respirei fundo e disse, pausadamente:
_ Porque... você é a mulher mais linda que já vi em toda minha vida e...
_ Você é louco...
_ Eu sei que poderia ter lhe oferecido uma carona, pois meu carro estava parado no estacionamento da rodoviária. Mas pensei que não aceitaria uma carona de um estranho. Olhe, não se preocupe, não sou nenhum maníaco. Nem eu mesmo sei ao certo o que deu em mim a ponto de fazer essa maluquice. Não costumo agir assim quando encontro mulheres bonitas pelas ruas. Mas, sinceramente, quando lhe vi esbravejando ao celular, tive vontade de estar perto de você, de lhe conhecer. Talvez pelas circunstâncias, talvez por não racionalizar eu tenha agido dessa maneira.
Ela deu um meio sorriso e balbuciou:
_ Definitivamente, você é louco...
_ Sim, eu fui insano. Mas não me arrependo, moça. Tenho certeza de que se não tivesse entrado naquele táxi contigo, estaria agora no meu apartamento contando ao Zé a besteira que eu havia feito, ou deixado de fazer... Só peço que me desculpe por não ter sido sincero contigo no primeiro momento e... obrigado pela companhia no táxi. Poderei contar aos meus amigos que fiz uma viagem de carro ao lado da mulher mais linda que existe em todo mundo!
Ela não conseguiu conter o riso. Abriu a bolsa. Imaginei que tiraria o dinheiro da corrida, uma forma de dizer que não havia gostado da minha atitude impensada. Ia começar a dizer que não aceitaria, quando vi que ela tirava um pedaço de papel e uma caneta.
_ Você não agiu corretamente, isto é fato. Mas confesso que gostei. Perdeu tempo e dinheiro para estar ao meu lado por alguns instantes. A gente não vê essas coisas acontecendo por aí. Você é agradável, vou gostar de conversar mais vezes contigo _ e, rabiscando alguma coisa no papel continuou _ o número do meu telefone. Me ligue quando aparecer em São Paulo ou quando o Zé estiver de saco cheio de seus papos...
Eu ri. Tive vontade de abraçá-la, mas novamente me contive. Ela tinha uma postura que intimidava às vezes. Era firme, apesar de doce. Peguei o papel de suas mãos, demorando no toque. Olhei em seus olhos, lhe beijei a face:
_ Mais uma vez você dá o número de seu telefone a um desconhecido...
_Bobo!
_ Perdi a conta de quantas vezes me chamou assim...
_ Pronto, está aí! Você não é um estranho. É o homem mais bobalhão que conheci...
Ela ria-se. Fiquei sério:
_ Tem certeza que deve pegar este avião? Quero dizer, tenho o fim de semana livre. Eu poderia levar você ao Parque de Diversões. Poderíamos andar na roda-gigante comendo maçã do amor, eu até ganharia um bichinho de pelúcia no tiro ao alvo! Depois comeríamos uma pizza! Adoro pizza e você? ela fez sinal positivo. Continuei_ Depois te levaria ao Parque das Mangabeiras, uma bela vista do nosso Belo Horizonte! Poderíamos também aproveitar o clima e...
Ela não me deixou terminar. De forma doce, porém imponente, colocou as mãos em meus lábios sorrindo e encerrou:
_ Me ligue...
Olhei para o papel. Somente os números anotados.
_ Mas... e seu nome? eu ri.
_ Gosto quando me chama de linda.
Ela sabia seduzir.
_ Pleonasmo! eu também não ficava muito longe nessa arte _ eu ligarei... Linda!
Dei-lhe outro beijo no rosto com ternura, fiz uma reverência, arrancando-lhe nova risada.
E o bobo da corte reverenciando a linda princesa saiu, sem olhar para trás...
sábado, 8 de agosto de 2009
Jacques Lacan

Jacques-Marie Émile Lacan (Paris, 13 de abril de 1901 — Paris, 9 de setembro de 1981) foi um psicanalista francês.
Formado em Medicina, passou da neurologia à psiquiatria, tendo sido aluno de Gatian de Clérambault. Teve contato com a psicanálise através do surrealismo e a partir de 1951, afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado, propõe um retorno a Freud. Para isso, utiliza-se da lingüística de Saussure (e posteriormente de Jakobson e Benveniste) e da antropologia estrutural de Lévi-Strauss, tornando-se importante figura do Estruturalismo. Posteriormente encaminha-se para a Lógica e para a Topologia. Seu ensino é primordialmente oral, dando-se através de seminários e conferências. Em 1966 foi publicada uma coletânea de 34 artigos e conferências, os Écrits (Escritos). A partir de 1973 inicia-se a publicação de seus 26 seminários, sob o título Le Séminaire (O Seminário).
Sua primeira intervenção na psicanálise é para situar o Eu como instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. É o momento do Estádio do Espelho. [1]O Eu é situado no registro do Imaginário, juntamente com fenômenos como amor, ódio, agressividade. É o lugar das identificações e das relações duais. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente, instância simbólica. Lacan reafirma, então, a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da psicanálise.
Esse registro é o do Simbólico, é o campo da linguagem, do significante. Lévi-Strauss afirmava que "os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e determina o significado”, no que é seguido por Lacan. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica. Este é o Grande Outro que antecede o sujeito, que só se constitui através deste - "o inconsciente é o discurso do Outro", "o desejo é o desejo do Outro".
O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala, onde o inconsciente se manifesta, através de atos falhos, esquecimentos, chistes e de relatos de sonhos, enfim, naqueles fenômenos que Lacan nomeia como "formações do inconsciente". A isto se refere o aforismo lacaniano "o inconsciente é estruturado como uma linguagem".
O Simbólico é o registro em que se marca a ligação do Desejo com a Lei e a Falta, através do Complexo de Castração, operador do Complexo de Édipo. Para Lacan, "a lei e o desejo recalcado são uma só e a mesma coisa". Lacan pensa a lei a partir de Lévi-Strauss, ou seja, da interdição do incesto que possibilita a circulação do maior dos bens simbólicos, as mulheres. O desejo é uma falta-a-ser metaforizada na interdição edipiana, a falta possibilitando a deriva do desejo, desejo enquanto metonímia. Lacan articula neste processo dois grandes conceitos, o Nome-do-Pai e o Falo. Para operar com este campo, cria seus Matemas.
É na década de 1970 que Lacan dará cada vez mais prioridade ao registro do Real. Em sua tópica de três registros, Real, Simbólico e Imaginário, RSI, ao Real cabe aquilo que resiste a simbolização, "o real é o impossível", "não cessa de não se inscrever". Seu pensamento sobre o Real deriva primeiramente de três fontes: a ciência do real, de Meyerson, da Heterologia, de Bataille, e do conceito de realidade psíquica, de Freud. O Real toca naquilo que no sujeito é o "improdutivo", resto inassimilável, sua "parte maldita", o gozo, já que é "aquilo que não serve para nada". Na tentativa de fazer a psicanálise operar com este registro, Lacan envereda pela Topologia, pelo Nó Borromeano, revalorizando a escrita, constrói uma Lógica da Sexuação ("não há relação sexual", "A Mulher não existe"). Se grande parte de sua obra foi marcada pelo signo de um retorno a Freud, Lacan considera o Real, junto com o Objeto a ("objeto ausente"), suas criações.
Cronologia
- 1901: Nasce em Paris, no dia 13 de abril, Jacques-Marie Émile Lacan, primeiro filho de uma próspera família católica.
- 1907: Nascimento de seu irmão, Marc-Marie, que mais tarde entrará para a ordem dos beneditinos como o nome de Marc-François.
- 1919: Matricula-se na faculdade de medicina. Paralelamente estuda literatura e filosofia, aproximando-se dos surrealistas.
- 1928: Trabalha como interno da Enfermaria Especial para alienados da Chefatura de Polícia, dirigida por Gaëtan Gatian Clérambault, que mais tarde reconhecerá como seu único mestre na psiquiatria.
- 1931: Após examinar Marguerite Pantaine, que havia tentado assassinar a atriz Huguette Duflos, escreve sobre o episódio (conhecido como "Caso Aimée") uma monografia que está na gênese de sua tese de doutorado.
- 1932: Inicia sua análise com Rudolf Loewenstein. Defende a sua tese de doutorado, Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade.
- 1934: Casa-se com Marie-Louise Blondin, com quem terá três filhos. Caroline (1937), Thibault (1939) e Sybille (1940).
- 1936: Sua comunicação sobre o estádio do espelho, durante congresso da Associação Internacional de Psicanálise (IPA) em Marienbad, é interrompida no meio por Ernest Jones, discípulo e biógrafo de Freud.
- 1938: Inicia relações com Sylvia Bataille, ex-mulher do escritor e filósofo Georges Bataille. Torna-se membro da Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP).
- 1941: Separa-se de Marie-Louise. Nasce Judith Sophie, filha de Lacan com Sylvia.
- 1951: Sua técnica de sessões curtas gera controvérsias na SPP. Dá início aos Seminários, uma série de apresentações orais que constituirão o núcleo de seu trabalho teórico.
- 1953: Em meio à crise na SPP, faz conferências fundamentais como "O mito individual do neurótico" (em que utiliza pela primeira vez a expressão Nome do Pai), "O real, o simbólico e o imaginário" (que coloca suas teorias sob o signo do "retorno a Freud") e "Função e campo da palavra e da linguagem em psicanálise" (pronunciada em Roma). Deixa a SPP junto com Daniel Lagache, Françoise Dolto e outros 40 analistas. Funda a Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP). Realiza o seminário Os escritos técnicos de Freud, primeiro a ser registrado por estenotipista, possibilitando posterior publicação.
- 1963: A IPA admite a filiação da SFP.
- 1964: Lacan funda a Escola Freudiana de Paris (EFP) com antigos alunos como Françoise Dolto, Maud e Octave Mannoni, Serge Leclaire, Moustapha Safouan e François Perrier.
- 1966: Publicação de Escritos e criação da coleção Campo Freudiano, dirigida por Lacan.
- 1967: Propõe a criação do "passe", dispositivo regulador da formação do analista.
- 1968: Lançamento da revista Scilicet, do Campo Freudiano.
- 1973: Publicação da transcrição do Seminário XI, Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, realizado em 1964. A partir daí, os seminários passam a ser editados segundo esse procedimento. Caroline morre num acidente de automóvel.
- 1975: Lançamento de Ornicar?, boletim do Campo Freudiano.
- 1980: Anuncia a dissolução da EFP e funda em outubro a Escola da Causa Freudiana.
- 1981: Morre em Paris no dia 09 de setembro.
Obras
- O Seminário, Livro 1 - “Os escritos técnicos de Freud” (1953-54)
- O Seminário, Livro 2 - “O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise” (1954-55)
- O Seminário, Livro 3 - “As psicoses” (1955-56)
- O Seminário, Livro 4 - “A relação de objeto” (1956-57)
- O Seminário, Livro 5 - “As formações do inconsciente” (1957-58)
- O Seminário, Livro 6 - “Les désir et son interprétation” (1958-59)
- O Seminário, Livro 7 - “A ética da psicanálise” (1959-60)
- O Seminário, Livro 8 - “A transferência” (1960-61)
- O Seminário, Livro 9 - “L’identification” (1961-62)
- O Seminário, Livro 10 - “A Angústia” (1962-63)
- O Seminário, Livro 11 - “Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise” (1963-64)
- O Seminário, Livro 12 - “Problèmes cruciaux pour la psychanalyse” (1964-65)
- O Seminário, Livro 13 - “L’objet de la psychanalyse” (1965-66)
- O Seminário, Livro 14 - “La logique du fantasme” (1966-67)
- O Seminário, Livro 15 - “L’acte psychanalytique” (1967-68)
- O Seminário, Livro 16 - “De um Outro ao outro” (1968-69)
- O Seminário, Livro 17 - “O avesso da psicanálise” (1969-70)
- O Seminário, Livro 18 - “D’un discours qui ne serait pás du semblant” (1970-71)
- O Seminário, Livro 19 - “...Ou pire” (1971-72)
- O Seminário, Livro 20 - “Mais, ainda” (1972-73)
- O Seminário, Livro 21 - “Les non-dupes errent” (1973-74)
- O Seminário, Livro 22 - “R.S.I.” (1974-75)
- O Seminário, Livro 23 - “O Sinthoma” (1975-76)
- O Seminário, Livro 24 - “L’insu que sait de l’une bévue s’aile à mourre” (1976-77)
- O Seminário, Livro 25 - “Le moment de conclure” (1977-78)
- O Seminário, Livro 26 - “La topologie et le temps” (1978-79)
- Escritos, 1998
- Outros escritos, 2003
- Os complexos familiares, 1987
- Televisão, 1993
- Abertura desta coletânea
- O seminário sobre "A carta roubada"
- De nossos antecedentes
- Para-além do "Princípio de realidade"
- O estádio do espelho como formador da função do eu
- A agressividade em psicanálise
- Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia
- Formulações sobre a causalidade psíquica
- O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada
- Intervenção sobre a transferência
- Do sujeito enfim em questão
- Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise
- Variantes do tratamento-padrão
- De um desígnio
- Introdução ao comentário de Jean Hyppolite sobre a " Verneinung" de Freud
- Resposta ao comentário de Jean Hyppolite sobre a " Verneinung" de Freud
- A coisa freudiana
- A psicanálise e seu ensino
- Situação da psicanálise e formação do psicanalista em 1956
- A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud
- De uma quesiao preliminar a todo tratamento possível da psicose
- A direção do tratamento e os princípios de seu poder
- Observação sobre o relatório de Daniel Lagache: "Psicanálise e estrutura da personalidade"
- A significação do falo
- À memória de Ernest Jones: Sobre sua teoria do simbolismo
- De um silabário a posteriori
- Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina
- Juventude de Gide ou a letra e o desejo
- Kant com Sade
- Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano
- Posição do inconsciente
- Do "Trieb" de Freud e do desejo do psicanalista
- A ciência e a verdade
- Comentário falado sobre a "Verneinung" de Freud, por Jean Hyppolite
- A Metáfora do Sujeito
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Lacan
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Estrada Real
O termo Estrada Real se refere aos caminhos trilhados pelos colonizadores desde a descoberta do ouro em Minas Gerais até o período de sua exaustão. Um passeio nessa estrada é um retorno a história, é voltar no tempo dos tropeiros que chegavam em seus cavalos e adultos e crianças faziam festa com a chegada da tropeirada. Quem vive por essas bandas guarda na lembrança o tempo em que o ouro 'brotava no chão' e acolhe como ninguém quem chega a essas paragens.
São muitos os trechos que podem ser percorridos na Estrada Real e cada roteiro esconde tesouros históricos, culturais e de belezas naturais. Nessas trilhas, homens e mulheres de variada ordem buscaram espaços de sobrevivência e de produção de bens e na busca, construíram vida, memória e história.
Ir por esses caminhos é desbravar e penetrar no interior num percurso de prazer e de fuga do cotidiano. A Estrada Real, antes era um lugar que o ouro habitava, hoje é uma mina de ouro para o turismo. Tem atrações para o ecoturista, para os interessados em história, para amantes de cavalgadas e caminhadas.
O turismo constrói um sistema de significados para as coisas que legam prazer ao viajante. E nessa construção, estabelece relações entre a vida material do passado, a paisagem e os costumes e a realidade de quem busca diversão, conhecimento, fuga do cotidiano.
Reconhecer um espaço como 'turístico' é elaborar uma construção cultural. É dar sentido e significado a coisas e a costumes de tempos diversos e de pessoas diferentes do turista. Esse processo dá forma a uma narrativa que orienta a busca de cada viajante e que antecipa os prazeres que podem ser buscados e alcançados. Nessa narrativa, visualizam-se alguns pontos, aspectos ou lugares e lançam-se à sombra outros que não se quer ressaltar ou que não foram entendidos pelo narrador.
Ao turista/viajante cabe verificar o que foi iluminado e o que foi deixado à sombra. E tirar de ambos os prazeres que seus sentidos captarem. Nenhum roteiro, portanto, antecipa o prazer e nenhuma narrativa indicadora satisfaz a necessidade de conhecer. Assim, nenhum mapa ou guia tem a pretensão de esgotar as informações ou de informar sobre tudo o que se viverá na viagem.
A alegria de ver um chafariz centenário em Glaura, de conversar entre duas igrejas de Acuruí, de participar de uma festa religiosa no Serro, de admirar a paisagem de Milho Verde, de perceber a paz de Itapanhoacanga, de aproveitar a hospitalidade de Córregos, de banhar-se em cachoeira de São Gonçalo do Rio das Pedras, de comer um pastel de angu em Conceição do Mato Dentro, de ouvir uma seresta em Diamantina, de admirar a lua em Catas Altas, de cochilar em um banco de varanda de fazenda dos arredores de Barão de Cocais, de tomar uma pinga em Sabará ou de ouvir os casos de tropeiros que (incrível) ainda existem pelas lindas trilhas da Serra do Cipó, tudo isso e muito mais é reservado ao turista/aventureiro que se dispõe a abrir seu coração para a percepção de outros cotidianos, muito distintos do seu.
A experiência turística, mesmo que permeada de informações prévias, é única e é surpreendentemente construída na viagem. Não se deve abrir mão dessa surpresa. Não se deve deixar que a sedução das imagens fáceis da vida comum supere a claridade do dia, o som da noite, o odor da terra, a beleza das matas, a brisa fria dos morros, a vivacidade das pedras.
A Estrada Real deve ser construída culturalmente. Deve-se dar a ela significados históricos e preservar-lhe a memória. E grandes esforços devem ser investidos por nossas instituições para que isso ocorra. Deve-se propiciar ao turista informações e estrutura para que seja possível a experiência turística. Espera-se do turista um desmedido amor ao ambiente natural, à vida material e aos costumes de homens e mulheres que vivem na região visitada.
Abra o coração ... e pé na Estrada!
Texto de José Newton Coelho Menezes
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Guacamole com Mojito


GUACAMOLE
Ingredientes:
2 Abacates maduros (Não precisa ser muito)
2 tomates sem pele e sem semente (opcional, mas fica muito bom)
1 dente de alho
1 Cebola média
Pimenta sem semente (pode ser malagueta para os mais corajosos, dedo de moça ou de cheiro para os mais tímidos)
Suco de 1 ou 2 limões (depende da preferência ao gosto do limão)
Sal, a gosto.
Modo de Fazer:
Abra os abacates ao meio, tire o caroço
Com a polpa cortada em pedaços coloque dentro de um pilão, ou um recipiente parecido
Corte os tomates (sem pele e sem sementes), a cebola, o dente de alho e a pimenta em pedaços bem pequenos (devem ser bem picados)
Junte ao abacate e amasse até formar uma pasta (quanto mais homogêneo melhor)
Tempere com limão e o sal a gosto
Servir com doritos ou semelhante
MOJITO
Ingredientes:
1 dose de rum branco (sugestão bacardi)
1 colheres (sopa) de açúcar
Suco de 1 limão
1/2 copo de água com gás (cerca de 100 ml)
1 ramo de hortelã (ceca de umas 10 a 12 folhas)
Gelo picado a gosto
Modo de Fazer:
Coloque no copo onde vai ser servido o drink, os 4 últimos ingredientes
Amasse bem o hortelã (esse é o segredo do bom mojito)
Depois é só adicionar o rum e o gelo
Aí é só apreciar
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Pra falar de amor
Dias atrás uma amiga me deixou em maus lençóis pedindo pra que eu falasse de amor, mas eu não sei.
Mesmo assim prometi que o faria e aqui estou, fazendo sei lá o quê, tentando falar de outras coisas pra falar de amor.
Amor, dizem, aquele sentimento que se sente a dois.
Quando o coração bate descompassadamente entre um beijo e outro, entre uma e outra flor, um e outro poema, mimo, afago, olhar...
Quando em fogo, o corpo arde em desejo (desejo que contradiz o amor, ora pois! Se ele anda sozinho, independe de reciprocidade, de vontade, como outros tantos dizem).
Amor que é amor não tem disso não, me disseram.
E acreditei.
Um sentimento dividido por duas pessoas pode sim, ser amor. Disfarçado de paixão, desejo, culpa, medo, raiva, afeto...
O que chamam amor, tenho visto, poder-se-á chamar de romance ou romantismo.
Bonitinho, bonitinho... suspiros, beijos e afins...
Depois de tantos e tantos amores, prefiro acreditar no respeito e na amizade entre dois seres que se "amam".
Pois, minha amiga!
Pra falar de amor, veja que eu não sei...
A melhor maneira de falar de amor deve ser não falar...

